Um juiz brasileiro suspendeu os planos do governo do presidente Jair Bolsonaro de revogar as regras que protegem os manguezais tropicais e outros ecossistemas costeiros frágeis.
A decisão, na segunda-feira, provocou protestos de ambientalistas.

Eles temiam que os incorporadores imobiliários tentassem substituir grandes áreas de manguezais por novos resorts para turistas.
Mas um tribunal de apelações decidiu que a mudança poderia causar danos “irrevogáveis” ao meio ambiente.

A juíza federal Maria Carvalho, do Rio de Janeiro, concedeu liminar contra o plano do governo “pelo óbvio risco de danos irreparáveis ​​ao meio ambiente”.
O grupo de advogados que impetrou a liminar argumentou que “a revogação de tais regras viola o direito constitucional a um meio ambiente ecologicamente equilibrado”.

Os manguezais são uma proteção importante contra as mudanças climáticas e grupos ambientalistas chamaram a medida do governo de “crime”.
A floresta de mangue absorve quase a mesma quantidade de dióxido de carbono que uma área equivalente da floresta amazônica.

A decisão removeu as chamadas “zonas de proteção permanente” criadas em 2002 para preservar os muitos manguezais tropicais e os cerrados de dunas do Brasil. A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), comandado pelo polêmico ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

O presidente Bolsonaro, um cético de direita em relação à mudança climática, assumiu o poder em janeiro de 2019. Desde então, ele presidiu crises ambientais, incluindo a escalada do desmatamento e incêndios florestais na floresta amazônica.

Não é a primeira vez que Salles se envolve em polêmica desde que assumiu o cargo.
Em uma gravação que vazou de uma reunião de gabinete em abril com o presidente, Salles disse que a pandemia do coronavírus era uma chance de reverter as regulamentações ambientais “agora que a mídia está falando apenas sobre Covid”.