O ministro da Saúde do Brasil se demitiu depois de menos de um mês no cargo, após desentendimentos sobre o tratamento dado pelo governo à crescente crise de coronavírus no país.

Nelson Teich havia criticado um decreto do presidente Jair Bolsonaro que permitia a reabertura de academias e salões de beleza.

Seu antecessor foi demitido depois de discordar de Bolsonaro.

O presidente de extrema direita continua se opondo às medidas de bloqueio.

Ele minimizou o vírus como “um pouco de gripe” e disse que a disseminação do Covid-19 é inevitável, atraindo críticas globais.

Recentemente, o Brasil ultrapassou a Alemanha e a França em termos de número de casos de coronavírus, tornando-se um dos pontos críticos do mundo com mais de 200.000 casos. Os números diários mais recentes da quinta-feira mostraram 844 novas mortes registradas, elevando o número oficial de mortes para apenas 14.000.

Por que ele renunciou?

Uma razão oficial ainda está para ser apresentada, mas Teich deve dar uma entrevista coletiva na sexta-feira para explicar.

Ele entrou em conflito com o presidente Bolsonaro sobre vários aspectos de como o governo lidou com a epidemia em espiral.

Ele discordou do desejo do presidente de usar amplamente a cloroquina como tratamento. O medicamento ganhou ampla atenção, embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirme que não há evidências definitivas de que ele funcione.

Teich também criticou o presidente sobre os planos de abrir a economia, dizendo na semana passada que ele não foi consultado antes de uma ordem que abriu caminho para que academias, salões de beleza e cabeleireiros reabram.

Mas as divergências sobre como a cloroquina deve ser usada foi a gota d’água, informou o jornal Globo.

Ele é o segundo ministro da saúde a deixar o cargo em menos de um mês. Luiz Henrique Mandetta foi demitido em abril, depois que o presidente Bolsonaro o criticou publicamente por pedir às pessoas que observassem o distanciamento social e ficassem dentro de casa.

Nelson Teich nem durou um mês – e agora o Brasil está mais uma vez sem um ministro da Saúde em uma pandemia que as pessoas aqui acham que está fora de controle.

Apesar do número de mortos, Jair Bolsonaro tem a intenção de ignorar a gravidade da crise.

Desde que Teich assumiu o cargo, houve divergências sobre o uso de cloroquina e Bolsonaro não consultou o Ministério da Saúde sobre sua decisão de reabrir serviços como academias e salões de beleza.

Com esse histórico, não é fácil ser ministro da Saúde de Jair Bolsonaro – e também não é tarefa fácil encontrar um substituto.

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